Estrela do Norte – Polícia apura origem da Carta de Renúncia de Prefeito suspeito de matar ‘Curica’

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Irmã do gestor de Estrela do Norte entregou documento à Câmara Municipal. Político disse que corre risco de morte e que não assassinou ex-prefeito

Wellington José de Almeida, atual Prefeito de Estrela do Norte, acusado de matar ‘Curica’ em 1º de outubro

A Polícia Civil agendou para semana, ouvir a irmã do Prefeito de Estrela do Norte, Wellington José de Almeida (PMDB), Flávia Arruda, que recebeu e protocolou a carta de renúncia dele na Câmara Municipal. O político é apontado como o principal suspeito do assassinato do ex-gestor do município, Geraldo Nicolau Filho (O Curica / PSDB), e está foragido.
O delegado André Medeiros, responsável pela investigação do homicídio, diz que ainda não teve acesso à carta de renúncia, mas que Flávia deve ajudar a esclarecer a origem do documento.
Além do político, a esposa e um irmão dele são suspeitos de terem assassinado Geraldo no pátio de um motel, no dia 1º de outubro. Eles também são procurados pela polícia.
A reportagem foi até a casa da irmã de Wellington, em Estrela do Norte, mas funcionários informaram que ela não estava na cidade e, por isso, não poderia comentar o assunto.
Na carta de renúncia, protocolada na Câmara na última quinta-feira (15), Almeida disse que, caso volte ao município, corre “risco iminente de morte”. Ele também destacou que a inocência dele “será comprovada perante a Justiça”.

Renúncia
Após receber o documento, o presidente da Casa, vereador Vanderli Antônio de Macedo (PTB), disse que a atitude de Wellington “foi inteligente”, já que ele corria o risco de ter o mandato cassado. “Como ele se ausentou por 15 dias sem autorização da Câmara, isso resultaria na cassação”, explicou.
Com isso, o vice-prefeito Baltazar Boaventura (PT), que já estava no comando da cidade de forma interina, tomou posse do cargo de prefeito definitivamente, em sessão realizada na noite de sexta-feira (16 de outubro).
Segundo Boaventura, Wellington deixou algumas dívidas. “Já calculamos cerca de R$ 350 mil. Então vou tentar ir pagando cada uma um pouquinho para tentar liquidar essas contas”, disse.

Assassinato
O assassinato ocorreu em um motel em Mara Rosa, cidade do Norte Goiano, que fica a 32 km de Estrela do Norte. Geraldo, de 45 anos, conhecido como ‘Curica’, que administrou a cidade entre 2001 e 2008 (dois mandatos), estava no local com a mulher do secretário de Saúde, que é irmão de Wellington.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima foi cercada por três pessoas e morta a tiros. Segundo a polícia, os suspeitos são o gestor da cidade, o irmão e a primeira-dama. Os três já tiveram as prisões pedidas pela Justiça, mas seguem foragidos.
A tesoureira do município Renata Rezende foi presa suspeita de colaborar para o homicídio. Segundo o delegado André Medeiros, ela foi ao motel antes do crime e avisou à primeira-dama da presença da vítima no local. “Meia hora antes, ela entrou em um HB 20 no motel, parou no quarto ao lado do da vítima, saiu do carro, verificou a presença do casal e saiu para avisar à primeira-dama”, disse Medeiros.
O investigador explicou ainda que vários fatores relacionam os suspeitos ao crime. Um deles é que os veículos que estavam no local, um Fiat Punto preto e uma caminhonete Chevrolet S10 branca, pertencem, respectivamente, à primeira-dama e ao irmão do político.
“Quando os policiais viram as imagens, fizeram a descrição física do prefeito. Tem também a coincidência dos veículos e o fato de eles terem sumido da cidade”, aponta Medeiros.

Motivação
O delegado investiga a motivação do homicídio. “Tem a questão de a vítima ter uma relação com a cunhada do prefeito ou então questão política porque a pessoa que morreu estava se movimentando para ser candidato a prefeito nas próximas eleições”, acredita Medeiros.
Para a empresária Lucivânia Lúcia de Andrade Nicolau, 43 anos, viúva do ex-prefeito morto, a morte ter ocorrido em um motel não significa que ele a traía. Ela crê que o crime tenha ligação política.
“Estou sem esposo, meus filhos estão sem pai, estou em uma luta com o meu sócio para tocar o nosso negócio, e quero que se faça justiça. Isso foi um crime político, não canso de falar isso. Não tinha caso, não tinha nada. Foi crime político”, afirmou.

Geraldo Nicolau Filho (Curica): Ex-prefeito morto em 1º de outubro

Da Redação: Motta Filho com informações do G1-GO.

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